Eh o tempo todo fazendo tudo correndo, com tempo contado, e ainda por cima prestando atençao em tudo, pra ele nao mexer em nada, nao engolir nada que nao deve, nao quebrar nada. E isso ATEH MESMO NO DOMINGO!

Museu Oceanografico.
O autor eh Hervé, 38 anos, casado, um filho. Logo depois de tê-lo dito, saiu do banheiro de meias e cueca, bufando, chamando o menino de maneira carinhosa mas impaciente. Ela entra no banheiro, liga o chuveiro e, enquanto a agua dah aquela esquentada no ambiente, ela escova dos dentes da frente. Ouve o menino batendo na porta e chorando e acaba deixando de lado os dentes de tras. Entra no banho. Como tem que lavar o cabelo, soh esfrega o necessario – mas o habito lhe permite sentir-se relaxada. Sai do banho e abre a porta.
O marido volta, ainda bufando – mas vestido, penteado e perfumado – chamando o menino, que entrou como um cabrito no banheiro, sem nem mesmo saber porquê. Enquanto o pequeno vai abrindo as gavetas e batendo a tampa da privada (ainda sem saber porquê), ela enxuga o essencial, se enrola no roupao e vai pro quarto, seguida pelo queridinho, que mia, chora e faz gestos de quem tira a roupa. Jah era esperado porque, enquanto Hervé tomava banho, ela trocou a roupa do pequeno e sentiu o olhar desaprovado em respeito ao pullover. Ela faz que nao vê, conversa e desconversa e, nesse meio tempo vai se vestindo. Hervé vai e vem, sempre bufando. Ela se lembra que estah na TPM, respira cinco vezes profundamente e sugere que ele comece a descer os quatro sacos de lixo acumulados desde a noite anterior. Ele nao bufa, porque sabe que eh o bom momento pra dar umas tragadas. Aliviada, ela faz um rabo de cavalo no cabelo ainda molhado, passa o creme do rosto e, enquanto coloca o casaco no menino, se lembra que tem roupa na maquina de lavar e que seria melhor colocar na secadora antes de sair. Entao o faz.
Hervé volta, sem bufar. Pega o carrinho num braço, menino no outro, e desce as escadas. Ela resolve colocar uns panos de chao na maquina de lavar e pegar um lanchinho pro pequeno, pra nao estragar o passeio se ele tiver fome. Carteira, cigarros, isqueiro, oculos, as chaves de casa. Fecha a porta.
Cinco minutos depois, o pequeno dormia no carrinho. Os dois se olharam, desacreditados. E andaram durante duas horas sem rumo pelo bairro, misturados aos turistas, tirando fotos, descobrindo e redescobrindo lugares, mas pensando na sesta perdida.


